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domingo, 3 de junho de 2012

O TITANIC COMO METÁFORA




O Titanic era a metáfora do fim do século dezenove
e início do século vinte.

Era a metáfora do progresso tecnológico
e era a metáfora do adeus à inocência (viria logo a
Primeira Guerra Mundial, viria a Segunda com todas
as suas mortes tão tecnológicas).

Era a metáfora da divisão de classes – os mais pobres
no porão, mais perto da morte.
Era a metáfora do privilégio ostensivo e da massa
descartável.

A vida não é uma metáfora, a morte não é uma metáfora,
o poeta não se cansa de dizer.
Deixemos a metáfora para o Titanic, tão antimetafórico
                        e sem nenhuma metafísica no fundo do mar.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

A MENINA DO NAPALM





A MENINA DO NAPALM


Kim Phuc quer escapar daquela menina pequena,
mas aquela imagem não vai embora.
Aquela menina nua correndo das bombas de napalm dos americanos.
Ela viu o rastro de fumaça amarela e roxa das bombas
cobrindo o templo de Cao Dai
e ouviu um avião jogando explosivos como ovos quebrando.
As bombas de napalm atingiram os braços de Kim Phuc,
queimaram suas roupas
e a dor parecia insuportável.
Correu pela estrada próxima ao povoado
até perder a consciência.
O fotógrafo Nick Ut a levou para um hospital.
Estava com 30% do corpo tomado por queimaduras de 3º grau
(só o rosto não foi atingido).
Hoje faz quarenta anos que a bomba a envolveu
como um ovo podre.
Kim Phuc não morreu,
mas nunca mais foi a mesma.
Aquela menina pequena não morreu para nos lembrar
do mal que os homens fazem.



quarta-feira, 30 de maio de 2012

A MÁQUINA DO MUNDO


 
Somos feitos da mesma substância das estrelas.

Que alívio!
Girando no espaço iluminados de poesia.
Perdidos no caos do espaço, mas iluminados de poesia.

Esta descoberta justifica a física quântica,
a fome,
a morte,
todas as injustiças do mundo.

Somos feitos da mesma substância das estrelas,
mas o que significa isso?