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quinta-feira, 14 de junho de 2012

COM A MORTE NO BOLSO


O que é a palavra favela para você? – Família.
O que é a palavra polícia? – Medo.
A palavra negro? – Irmão.
A palavra fome? – Dor.
A palavra amor? – Mulher.
A palavra criança? – Filho.
A palavra Deus? – Salvação.
A palavra governo? – Nada.
A palavra morte? – Eu.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A MENINA DO NAPALM





A MENINA DO NAPALM


Kim Phuc quer escapar daquela menina pequena,
mas aquela imagem não vai embora.
Aquela menina nua correndo das bombas de napalm dos americanos.
Ela viu o rastro de fumaça amarela e roxa das bombas
cobrindo o templo de Cao Dai
e ouviu um avião jogando explosivos como ovos quebrando.
As bombas de napalm atingiram os braços de Kim Phuc,
queimaram suas roupas
e a dor parecia insuportável.
Correu pela estrada próxima ao povoado
até perder a consciência.
O fotógrafo Nick Ut a levou para um hospital.
Estava com 30% do corpo tomado por queimaduras de 3º grau
(só o rosto não foi atingido).
Hoje faz quarenta anos que a bomba a envolveu
como um ovo podre.
Kim Phuc não morreu,
mas nunca mais foi a mesma.
Aquela menina pequena não morreu para nos lembrar
do mal que os homens fazem.



terça-feira, 29 de maio de 2012

A CHACINA DE LENÇÓIS PAULISTA



Mais de vinte cães e gatos morreram misteriosamente
no Jardim Ibaté,
em Lençóis Paulista.

Talvez algum malvado lhes tenha dado pedaços de mortadela
e salame
com veneno.

Não morreu ainda? – Alguém ouviu um homem falar
para um cachorro
que agonizava.

Encontraram um gato morto jogado num terreno baldio,
há alguns dias,
sem as quatro patas.

A crueldade anda à solta – desde que o mundo é mundo
e nem começa
com os animais.