sábado, 7 de dezembro de 2019

POEMA DOS JOVENS CHACINADOS EM PARAISÓPOLIS



POEMA DOS JOVENS CHACINADOS EM PARAISÓPOLIS

 

 

 

Gabriel Rogerio de Moraes

 

Mateus dos Santos Costa

 

Denys Henrique Quirino da Silva

 

Luara Victoria de Oliveira

 

Bruno Gabriel dos Santos

 

Gustavo Cruz Xavier

 

Eduardo da Silva

 

Marcos Paulo Oliveira dos Santos

 

Dennys Guilherme dos Santos Franco

                                     

                         - o pancadão que vocês dançaram não se cale nunca mais
 
 
 
 
 
 




segunda-feira, 11 de novembro de 2019

A mulher



                                  A MULHER



                                 parece estar enchendo
                                 o saco com a boca
                                 e está
                                 colorida como a vida
                                 dolorida como a vida
                                 assopra
                                 para encher o saco
                                 o saco de lixo
                                 do seu carrinho de lixo
                                 assopra para que a dor da vida
                                 tão longa
                                 passe






domingo, 29 de setembro de 2019

A estranha epidemia de dança





A estranha epidemia de dança 


Em 1518, em Estraburgo, uma pequena vila francesa,
uma mulher chamada Fao Troffea,
sem motivo aparente,
começou a dançar sem parar em uma das ruas.

Após três dias dançando sem descanso,
outras pessoas começaram a dançar juntas.
Quatrocentas pessoas se juntaram aos dançantes
e dançavam sem interrupção.

Dançaram além da conta, dançaram tanto
que muitos chegaram a morrer de exaustão.
Médicos e padres foram chamados
mas a dança continuava dia e noite, noite e dia.

Chegavam a morrer quinze pessoas por dia
mas a dança continuava.
Só pararam de dançar quatro meses depois
quando muitos morreram e os outros não aguentaram  mais.  





sábado, 20 de julho de 2019

Tributo a Evaldo Rosa dos Santos





Tributo a Evaldo Rosa dos Santos


Foram oitenta tiros de fuzil.
Às cinco horas da tarde em ponto.
Mas todos os relógios se quebraram.
Todos os sinos se calaram.
Às cinco da tarde em ponto.
Aconteceu. Como um fenômeno da natureza.
Ninguém é culpado. Os fuzis atiraram sozinhos.
O poeta não serve para nada.
Isso é a banalidade do mal. A vida não tem importância.
Com jeito vai e sem jeito também.
Fugiu do lobo, foi devorado pelas ovelhas.
(As ovelhas atiram com fuzil.)
Solidariedade é você enfiar o dedo na minha ferida,
depois eu enfio na sua.
Ai, que terríveis cinco horas da tarde.
Todos os relógios se calaram
com os oitenta tiros de fuzil.
Nenhuma pomba branca voa mais.
Choveu na cidade como um dilúvio. Eram lágrimas.
O músico é um pássaro com a garganta cortada e canta.
O seu canto corta a pele do dia como o diamante.