sábado, 9 de março de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
DADOS BIOGRÁFICOS DO POETA QUANDO SANTISTA
Eu morei no
Boqueirão perto do cais
com susto e
perigo no escuro
Morei no
Curvão da Pinheiro Machado
onde conheci
um velho que pensava ser van Gogh
(era a poesia,
com a morte a tiracolo)
Depois morei
perto do Canal 7
na (sem música
nenhuma) rua Heitor Villa Lobos
O sol
reverberava, o mar reverberava, eu reverberava
Trabalhei na
Escola Escolástica Rosa – eu pensava numa
negra quase
santa chamada Escolástica e na Santa
Escolástica,
mãe de São Bento, com um nó no pescoço
O mar
reverberava, as pedras reverberam, eu reverberava ao sol
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O GUARDA-CHUVA NO CAOS
O GUARDA-CHUVA NO CAOS
(Quanto mais furado, mais
poesia entra)
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=5637
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
O BODE EXPIATÓRIO
O BODE EXPIATÓRIO
O bode
Galeguinho pagou o pato,
virou bode
expiatório
e foi
despejado,
coitado.
Era o guarda
da empresa de fachada
do deputado,
agora foi para
a rua.
Castigado sem
dó nem piedade,
passa o dia
amarrado a uma árvore
(de noite vai
para a casa da dona Maria
dormir com os
cinco filhos dela).
Coitado do
bode Galeguinho,
pagou o pato do deputado.
É um bode tão
simpático,
não merecia
essa
desfaçatez.
O deputado se
empaturra com os milhões
e o
Galeguinho,
coitado,
paga o pato
amarrado embaixo de uma árvore.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
WLADIMIR HERZOG
WLADIMIR HERZOG
Wladimir Herzog não tinha nada a dizer
a seus algozes.
Recebeu as pancadas uma a uma,
sentiu o seu corpo vergar de dor
até que uma nuvem lhe cobriu olhos
e não sentiu mais nada.
As pancadas continuaram ferozes
contra o seu corpo morto.
Quem teve a ideia de pendurá-lo
numa das barras de ferro da janela
como se tivesse se suicidado?
– Um morto não se suicida.
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